A crescente demanda por inteligência artificial está impulsionando uma corrida mundial pela construção de data centers, que são essenciais para o armazenamento e processamento de dados. No entanto, essa evolução tecnológica não vem sem suas preocupações, especialmente para os moradores que vivem nas proximidades dessas imensas estruturas. Uma reportagem recente do Fantástico destacou a realidade dos residentes do condado de Loudoun, na Virgínia, onde mais de 200 data centers operam, revelando os desafios que enfrentam no dia a dia.
Os moradores, como Lindsay, Greg e Jessica, relatam mudanças drásticas na qualidade de vida desde a instalação de um novo complexo construído em um espaço anteriormente verde. Desde 2022, eles convivem com um zumbido constante, resultado do funcionamento de turbinas movidas a gás natural e geradores a diesel que operam no local. Para muitos, o barulho é apenas uma das várias questões; a fumaça escura que sai das instalações também gera apreensão. “Quando os geradores entram em funcionamento, é possível ver a fumaça e nos perguntamos o que há nela”, desabafa uma das residentes.
Além do incômodo sonoro, os impactos na saúde e no meio ambiente estão sendo monitorados por especialistas. Um estudo de Harvard sugere que a poluição de um dos data centers pode resultar em custos de até US$ 99 milhões anuais em internações e mortes prematuras. A crescente necessidade de energia elétrica também é um ponto de preocupação, com a expansão exigindo investimentos significativos em infraestrutura elétrica, incluindo novas linhas de transmissão que cruzarão a Virgínia.
A resistência à instalação de novas torres de transmissão, como a que está prevista a menos de 15 metros da casa de Vicky Woo, também é um reflexo da insatisfação local. Vicky, que vive na região há mais de 20 anos, questiona a segurança da estrutura proposta e marca com fitas rosas as árvores que poderão ser cortadas. “Não somos contra os data centers, mas sua construção perto das residências não deveria ser permitida”, afirma.
A discussão sobre o impacto dos data centers não se restringe aos Estados Unidos. No Brasil, o programa Redata foi recentemente aprovado, oferecendo incentivos fiscais para atrair investimentos nesse setor. Contudo, questões cruciais como a distância mínima de áreas residenciais e o controle de ruído ainda precisam ser abordadas em regulamentações futuras, conforme apontam especialistas. Enquanto governos e empresas se mobilizam em torno da inteligência artificial, moradores como os de Loudoun se preocupam com as implicações de um futuro que parece cada vez mais próximo. “Que mundo eu vou deixar para meus netos?”, questiona uma residente, refletindo sobre as incertezas que cercam a expansão desses complexos tecnológicos.


