sexta-feira, 23/10/2026

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Iniciativa de jovem ajuda a localizar desaparecidos após terremoto na Venezuela enquanto desafios permanecem

Em meio à devastação causada pelos terremotos na Venezuela, o programador Jorge Bastidas, que reside na Argentina, sentiu a urgência de ajudar sua terra natal. Após receber a notícia sobre os tremores enquanto estava…

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Em meio à devastação causada pelos terremotos na Venezuela, o programador Jorge Bastidas, que reside na Argentina, sentiu a urgência de ajudar sua terra natal. Após receber a notícia sobre os tremores enquanto estava em Bogotá, seu primeiro impulso foi contatar sua família, mas a comunicação falhou. Como muitos outros, ele ficou à mercê da desinformação. A impotência diante da situação levou Bastidas a criar a plataforma “Desaparecidos Terremoto Venezuela”, uma iniciativa que se tornaria um ponto de referência para aqueles em busca de entes queridos.

Desde o dia 24 de junho, a plataforma recebeu mais de 82 mil registros de desaparecidos. Após um meticuloso trabalho de depuração, cerca de 29 mil nomes permanecem sem contato. Esta situação crítica é agravada pela falta de uma resposta oficial do governo venezuelano, que não apresentou dados sobre os desaparecidos e, até o momento, não criou um canal para o registro de tais ocorrências. “É revoltante ver a falta de ação do governo, que possui os recursos necessários para oferecer respostas à população”, lamenta Bastidas.

Logo após os terremotos, Bastidas utilizou inteligência artificial para desenvolver o site em apenas quatro horas e meia. Com um formulário simples para registrar informações sobre os desaparecidos, a plataforma rapidamente se tornou um canal vital para a comunidade. Contudo, o sucesso inicial trouxe desafios, como o aumento do tráfego e tentativas de vandalismo digital, que exigiram a implementação de controles mais rigorosos.

Um dos aspectos inovadores do projeto foi a colaboração com um laboratório de inovação mexicano, que introduziu um sistema de reconhecimento facial para ajudar a identificar desaparecidos. Esse recurso se mostrou eficaz, recebendo 19 mil visitas nas primeiras semanas, indicando a necessidade desesperada da população por informações sobre seus familiares.

Enquanto Bastidas gerenciava a plataforma, a advogada Daneli Hernández mobilizava esforços em hospitais para coletar informações sobre os feridos e desaparecidos. Sua colaboração foi fundamental para cruzar dados e identificar pessoas encontradas, uma tarefa árdua que envolveu a transcrição de listas manuscritas e a verificação cuidadosa de informações.

Para muitos, a iniciativa de Bastidas se tornou um porto seguro em meio ao caos. Alceo Angelini, que registrou o desaparecimento de seu primo, expressou a importância da plataforma em oferecer um mínimo de esperança. “Registrei-o para ter a tranquilidade de saber que alguém estava nos ajudando”, relata.

Apesar de enfrentar dificuldades técnicas e ataques à sua plataforma, Bastidas mantém a determinação de continuar seu trabalho. “Não podemos esperar pelo Estado para agir. É nossa responsabilidade fazer algo”, conclui. Com essa iniciativa, ele não apenas criou um espaço de registro, mas também uma rede de apoio em um momento de crise, mostrando que a solidariedade pode surgir mesmo nas circunstâncias mais desafiadoras.