O recente acordo entre Donald Trump e as big techs para uma autorregulação da inteligência artificial (IA) não ofusca a crescente inquietação do mercado financeiro em relação aos altos investimentos neste setor. Embora as empresas de tecnologia estejam injetando bilhões em inovações, a expectativa de retorno se torna cada vez mais crucial para os investidores, especialmente após a queda acentuada das ações da Alphabet, controladora do Google.
Na última quinta-feira (29), as ações da Alphabet despencaram 12,64%, a maior queda desde sua abertura de capital em 2004, após a divulgação de resultados trimestrais que evidenciaram gastos elevados em infraestrutura de IA. Essa desvalorização fez a empresa perder quase US$ 500 bilhões em valor de mercado em um único dia, um montante que equivale a mais da metade do valor total das empresas listadas na bolsa brasileira.
O impacto foi sentido em toda a Wall Street, com o índice Nasdaq caindo 2,9% e outros índices como S&P 500 e Dow Jones também registrando perdas significativas. As gigantes do setor, como Amazon e Intel, não escaparam da pressão, com a Intel enfrentando uma queda de 28,6%, a mais acentuada desde 1974, refletindo suas próprias dificuldades no mercado de chips.
Os investidores estão começando a questionar a viabilidade de tantos investimentos sem um retorno claro. De acordo com a Reuters, as quatro principais empresas de tecnologia – Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet – aumentaram seus gastos em infraestrutura de IA de US$ 113 bilhões para US$ 207 bilhões em apenas um ano, com previsões de ainda mais investimentos nos próximos meses. Contudo, as cifras alarmantes se somam a um fluxo de caixa livre negativo, levando a um cenário em que os gastos superam a receita gerada.
As perdas nas ações também afetaram significativamente a fortuna de magnatas como Larry Page, Sergey Brin e Jeff Bezos, que juntos viram uma redução de mais de US$ 70 bilhões em seus patrimônios. Essas perdas são simbólicas de uma inquietação maior: a necessidade de retorno sobre investimentos que, até agora, não se concretizaram.
À medida que as empresas recorrem a empréstimos e emissões de ações para financiar suas expansões, surge a questão sobre a sustentabilidade desse modelo. Os especialistas alertam para o risco de uma bolha de investimentos em IA, embora reconheçam que a tecnologia em si possui um grande potencial transformador.
O consenso parece ser que, no futuro próximo, o verdadeiro desafio será não apenas investir, mas demonstrar que esses investimentos podem gerar retornos tangíveis. “O vencedor não será necessariamente quem gasta mais, mas quem consegue converter esses gastos em resultados efetivos”, afirma Nickolas Lobo, especialista em investimentos. Assim, a pressão do mercado se torna um fator decisivo na trajetória dessas gigantes da tecnologia, que se encontram em uma encruzilhada entre inovação e rentabilidade.


