Na última quinta-feira (22), a Meta, responsável pelo Instagram, removeu um vídeo do cantor MC Cabelinho que abordava a polêmica em torno de Flávio Bolsonaro, candidato à presidência da República. O conteúdo, produzido em colaboração com o portal Revelando, mencionava a acusação de que Flávio havia atuado como funcionário fantasma no gabinete de seu pai, Jair Bolsonaro, quando tinha apenas 19 anos.
Em resposta à retirada do vídeo, MC Cabelinho expressou sua indignação em suas redes sociais, informando que o material ainda poderia ser acessado no YouTube, e questionou a decisão da Meta. “Tropa, derrubaram meu reels (Revelando) mas o episódio continua no YouTube… qual foi @meta?”, escreveu o artista.
O portal Revelando também se manifestou sobre a situação, publicando um novo conteúdo pouco depois. Às 14h50, MC Cabelinho voltou a postar o vídeo, desta vez sem a intervenção da Meta. Contudo, a situação revela um aspecto crítico das regras eleitorais em vigor. A Meta esclareceu que a remoção do vídeo está diretamente relacionada às normas estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que visam restringir conteúdos alterados ou gerados por inteligência artificial durante períodos eleitorais.
De acordo com a empresa, a restrição começou à meia-noite de quinta-feira e se estenderá até as 23h59 de segunda-feira (26). A Meta argumentou que muitos aplicativos de edição de vídeo incorporam um sinal que indica o uso de IA, e por isso, conteúdos identificados como tal são retirados do ar para cumprir as diretrizes do TSE.
A polêmica não se limitou a MC Cabelinho. O Revelando compartilhou críticas de figuras como Gregório Duvivier, que chamou a decisão de boicote, e Fábio Porchat, que ironizou a situação. Em setembro, o portal já havia enfrentado problemas semelhantes, quando seu perfil foi derrubado após a publicação de um vídeo sobre o Banco Master e a Igreja Batista da Lagoinha, levantando questionamentos sobre a liberdade de expressão e o acesso a informações de interesse público.
A retirada do conteúdo ocorre em um momento delicado, logo após a Meta ter sido convocada pelo TSE para explicar as medidas adotadas na distribuição de conteúdos políticos. O TSE tem se mostrado vigilante em relação ao tratamento igualitário das campanhas, tanto de Flávio Bolsonaro quanto de Luiz Inácio Lula da Silva, após acusações de que a plataforma poderia estar favorecendo um dos lados.
Com a resolução nº 23.610, que proíbe a publicação de conteúdos gerados ou alterados por IA nos dias que antecedem e sucedem a votação, a situação se torna ainda mais complexa, levantando questões sobre a aplicação dessas regras e seu impacto na comunicação política. O caso de MC Cabelinho e o portal Revelando é um exemplo claro das tensões entre liberdade de expressão e regulamentação eleitoral, que prometem ser um tema central nas próximas eleições.


