segunda-feira, 19/10/2026

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Líder do Signal refuta temores sobre ‘apocalipse da IA’ e alerta para os perigos do uso irresponsável da tecnologia

Meredith Whittaker, uma voz proeminente na discussão sobre inteligência artificial (IA), se posiciona firmemente contra as narrativas apocalípticas que frequentemente permeiam as discussões sobre a tecnologia. Para ela, as alegações de que a IA…

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Meredith Whittaker, uma voz proeminente na discussão sobre inteligência artificial (IA), se posiciona firmemente contra as narrativas apocalípticas que frequentemente permeiam as discussões sobre a tecnologia. Para ela, as alegações de que a IA poderia se voltar contra a humanidade carecem de respaldo científico e são, na verdade, uma deturpação do que realmente representa o risco da tecnologia. “O perigo não reside nas histórias alarmistas, mas sim na utilização irresponsável dessa tecnologia”, afirma Whittaker, que preside a Signal Foundation, a organização por trás do aplicativo de mensagens criptografadas Signal.

Um exemplo que Whittaker traz à tona é um incidente reportado pela CNN, onde um chatbot utilizado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos divulgou informações falsas sobre um suposto transporte de material nuclear por um navio chinês. Essa desinformação quase levou a um conflito militar entre os EUA e a China, o que, segundo ela, demonstra que a verdadeira ameaça não está em uma IA superinteligente, mas na má qualidade da informação gerada por sistemas que não são adequadamente supervisionados.

Com cerca de 40 a 70 milhões de usuários, o Signal ainda é pequeno em comparação ao gigante WhatsApp, que conta com cerca de 3 bilhões de usuários. No entanto, se destaca pela sua defesa intransigente da privacidade, com servidores que não armazenam dados pessoais dos usuários, minimizando os riscos de vazamentos e acessos não autorizados.

A trajetória de Whittaker no campo da tecnologia começou de forma inusitada. Formada em literatura, ela ingressou no Google em 2006, onde se tornou uma figura central ao se opor ao Projeto Maven, um controverso contrato que visava desenvolver IA para fins militares. Sua resistência à militarização da tecnologia culminou em uma greve massiva de funcionários, que, após sua mobilização, forçou o Google a retirar-se do projeto.

Recentemente, Whittaker também se manifestou sobre a falta de responsabilidade por parte de empresas como a Palantir, que sucedeu o Google no contrato do Projeto Maven. Ela correlaciona diretamente esse tipo de tecnologia ao ataque com mísseis que resultou em tragédias civis, reiterando a importância de uma supervisão ética em desenvolvimentos de IA.

Além de sua postura crítica em relação ao uso das tecnologias, Whittaker também defende a necessidade de proteger a privacidade dos usuários, especialmente em um contexto onde governos buscam maior controle sobre as comunicações. Para ela, qualquer tentativa de enfraquecer a criptografia de aplicativos como o Signal representa um risco inaceitável, que poderia colocar em perigo a vida de indivíduos que dependem de total privacidade em suas comunicações.

Whittaker enfatiza que a privacidade é um direito fundamental, que deve ser respeitado independentemente das circunstâncias. “Se tivermos que comprometer a segurança de quem confia em nós, precisamos reconsiderar nossa operação”, afirma, deixando claro que os princípios éticos não devem ser negociados.

Em meio a um cenário onde a tecnologia pode ser tanto uma ferramenta de emancipação quanto de opressão, Whittaker aconselha mulheres que desejam ingressar no setor de tecnologia a não se deixarem intimidar por ambientes hostis. Sua mensagem é clara: a coragem e a autenticidade são essenciais para navegar em um campo que ainda enfrenta profundas desigualdades de gênero.